{"id":97,"date":"2012-04-19T13:34:28","date_gmt":"2012-04-19T13:34:28","guid":{"rendered":"https:\/\/jorgebranco.pt\/?p=97"},"modified":"2022-02-19T13:41:37","modified_gmt":"2022-02-19T13:41:37","slug":"cancro-da-mama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jorgebranco.pt\/?p=97","title":{"rendered":"Cancro da Mama"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"background-color: rgba(255,255,255,0);background-position: center center;background-repeat: no-repeat;border-width: 0px 0px 0px 0px;border-color:#eae9e9;border-style:solid;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1144px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-98 size-full\" src=\"https:\/\/jorgebranco.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2cancrodamama-foto.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"456\" srcset=\"https:\/\/jorgebranco.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2cancrodamama-foto-134x300.jpg 134w, https:\/\/jorgebranco.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2cancrodamama-foto-200x447.jpg 200w, https:\/\/jorgebranco.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2cancrodamama-foto.jpg 204w\" sizes=\"(max-width: 204px) 100vw, 204px\" \/>Pode ser prevenido?<\/strong><\/p>\n<p>O cancro da mama \u00e9 o tumor maligno mais frequente na mulher.<br \/>\nO European Cancer Observatory (ECO), nos seus \u00faltimos dados publicados (2008), atribui a Portugal a incid\u00eancia de 78,8 casos por 100.000 mulheres, de que resulta uma mortalidade por cancro da mama de 19,1 por 100.000 mulheres.<br \/>\nSendo a Gr\u00e9cia o melhor pa\u00eds e a B\u00e9lgica o pior (nos 31 pa\u00edses), Portugal situa-se no 10\u00ba melhor lugar.<br \/>\nS\u00e3o n\u00fameros bons, sobretudo se comparados com a m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia (UE), respetivamente de 103,7 e 23,9 por 100.000 mulheres, mas temos de continuar a lutar para sermos ainda melhores, nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mortalidade.<br \/>\nNeste sentido, penso que o melhor caminho tem duas faixas paralelas: a preven\u00e7\u00e3o e os cruciais rastreio e diagn\u00f3stico precoce.<\/p>\n<p><strong>PREVEN\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>\nProcure, sempre que poss\u00edvel, reduzir os fatores de risco evit\u00e1veis.<br \/>\n<strong>FACTORES DE RISCO:<\/strong><br \/>\nO maior fator de risco \u00e9 ser mulher, o que \u00e9 inelut\u00e1vel (apenas 1% de todos os cancros da mama s\u00e3o no homem).<br \/>\nO outro fator inultrapass\u00e1vel \u00e9 a idade: 85% dos cancros da mama s\u00e3o diagnosticados nas mulheres com mais de 50 anos, o que obriga a um rastreio bem mais apertado nestes grupos et\u00e1rios.<br \/>\nE que outros fatores devemos ter em conta individualmente em cada mulher para preven\u00e7\u00e3o do cancro da mama?<br \/>\n<strong>1. Antecedentes pessoais<\/strong><br \/>\n1.1. De doen\u00e7a benigna da mama:<br \/>\nAlgumas situa\u00e7\u00f5es proliferativas podem funcionar como percursores de cancro da mama (hiperplasia florida, adenose esclerosante, papiloma intraductal), sobretudo quando associadas a atipias citol\u00f3gicas (hiperplasia lobular at\u00edpica, hiperplasia ductal at\u00edpica).<br \/>\nAs situa\u00e7\u00f5es acima referidas dever\u00e3o ser, portanto, rapidamente tratadas.<br \/>\n1.2. De cancro da mama:<br \/>\nHist\u00f3ria pessoal de cancro da mama aumenta o risco de desenvolvimento de outro tumor na mesma mama ou na contralateral; o risco nestas mulheres \u00e9 de 5 a 10% em 10 anos.<\/p>\n<p><strong>2. Terap\u00eauticas hormonais<\/strong><br \/>\n2.1. Hormonas esteroides:<br \/>\nA terap\u00eautica hormonal de substitui\u00e7\u00e3o (THS) usada na p\u00f3smenopausa mais de 5 anos, sobretudo a combinada estroprogestag\u00e9nica, eleva o RR de cancro mam\u00e1rio, em m\u00e9dia, para 1,24 (supondo que a unidade representa o RR basal) em mulheres seguidas, em m\u00e9dia, durante 11 anos. Este aumento de risco eleva-se sobretudo quando \u00e0 THS se associa a hiperplasia at\u00edpica da mama (RR=3,7) e o aumento da densidade mamogr\u00e1fica (RR=1,8 a 6), podendo este \u00faltimo funcionar ainda como risco aut\u00f3nomo de cancro da mama, na aus\u00eancia de THS.<br \/>\nO mesmo estudo, revelou que a terap\u00eautica estrog\u00e9nica de substitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o combinada (TES) n\u00e3o leva ao aumento do risco de cancro da mama, podendo at\u00e9 ser protectora (RR=0,80), o que tamb\u00e9m parece acontecer com a Tibolona.<br \/>\n2.2 Fitoestrog\u00e9nios:<br \/>\nComo o seu nome indica, os fitoestrog\u00e9nios s\u00e3o subst\u00e2ncias de origem vegetal com estrutura qu\u00edmica semelhante ao estradiol (isoflavonas da soja e linanos provenientes de v\u00e1rios vegetais, frutos e cereais).<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o entre a ingest\u00e3o de soja e o cancro da mama \u00e9 inconsistente e n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de que o seu consumo proporcione protec\u00e7\u00e3o contra o cancro da mama nas mulheres ocidentais.<br \/>\n<strong>3. Fatores end\u00f3genos e reprodutivos<\/strong><br \/>\nExiste significativo maior risco de cancro da mama nas mulheres com menarca precoce, infertilidade disovulat\u00f3ria ou anovulat\u00f3ria, 1\u00aa gravidez tardia, nuliparidade e menopausa tardia (o RR de cancro da mama aumenta 1,03 % por cada ano, contados a partir dos 51 at\u00e9 \u00e0 idade em que ocorrer a menopausa tardia).<br \/>\nA multiparidade confere prote\u00e7\u00e3o (a maior parte dos estudos apontam para que o risco vai decrescendo com o n\u00famero de gravidezes a termo).<br \/>\nDa mesma forma, a primeira gravidez levada a termo em idade jovem confere um baixo risco de cancro da mama a essas mulheres.<br \/>\n<strong>4. Estilo de vida<\/strong><br \/>\nPadr\u00e3o reprodutivo (idade da menarca, n\u00famero de filhos, idade no 1\u00ba parto, amamenta\u00e7\u00e3o), h\u00e1bitos tab\u00e1gicos e alimentares, estatura, acesso a mamografia, muitas vezes condicionados pelos n\u00edveis s\u00f3cio-econ\u00f3mico e cultural, podem influenciar o risco de cancro da mama.<br \/>\n4.1. Altura:<br \/>\nAs mulheres com mais de 175 cm de altura t\u00eam 20% de acr\u00e9scimo de risco de desenvolver cancro da mama.<br \/>\n4.2. H\u00e1bitos alimentares:<br \/>\nA ingest\u00e3o exagerada e sistem\u00e1tica de gordura saturada est\u00e1 relacionada com significativo aumento do risco de cancro da mama (11 a 22%). As mulheres n\u00e3o devem ingerir mais de 20% das calorias da sua dieta di\u00e1ria provenientes desta gordura.<br \/>\nParece ainda que o exagero de gordura saturada ingerida na pr\u00e9puberdade, al\u00e9m de relacionada com menarca mais precoce, pode vir a constituir um significativo aumento de risco de cancro da mama na idade adulta.<br \/>\nIgualmente, as mulheres com grande ganho de peso na p\u00f3smenopausa apresentam um elevado risco de cancro da mama.<br \/>\nAssim, as mulheres, durante as diferentes fases da sua vida, devem procurar sempre adotar uma dieta equilibrada do tipo mediterr\u00e2nico (por alguma raz\u00e3o, a Gr\u00e9cia tem a menor incid\u00eancia de cancro da mama da UE).<br \/>\n4.3. Tabaco:<br \/>\nA evid\u00eancia permite afirmar que as fumadoras ativas ou passivas apresentam um risco maior de cancro da mama, particularmente na pr\u00e9menopausa.<br \/>\nPor esta e por outras fortes raz\u00f5es, o tabaco deve ser retirado dos h\u00e1bitos femininos.<br \/>\n<strong>5. Risco gen\u00e9tico<\/strong><br \/>\nPropositadamente deixo para \u00faltimo o fator gen\u00e9tico relacionado com a predisposi\u00e7\u00e3o familiar para o cancro. A exist\u00eancia na hist\u00f3ria familiar de cancro da mama (1\u00aa linha) aumenta o RR para mais do dobro.<br \/>\nContudo, a acumula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios casos de cancro da mama em familiares de 1\u00aa linha, sobretudo se diagnosticados antes da menopausa (muitas vezes associados a muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas familiares), constitui um enorme aumento do risco de cancro da mama que, ao longo da vida, pode ultrapassar largamente os 50%.<br \/>\n<strong>6. Radia\u00e7\u00f5es ionizantes<\/strong><br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o a radia\u00e7\u00f5es ionizantes, muitas vezes iatrog\u00e9nicas, est\u00e1 associada ao aumento de risco de cancro da mama, especialmente quando essa exposi\u00e7\u00e3o ocorre em idades jovens. Este risco parece perder import\u00e2ncia quando a exposi\u00e7\u00e3o acontece depois dos 40 anos.<br \/>\n<strong>7. T\u00f3xicos ambientais<\/strong><br \/>\nProdutos qu\u00edmicos hoje largamente utilizados, como dioxinas, pesticidas e outros compostos capazes de persistir no corpo humano por v\u00e1rios anos, provocam tamb\u00e9m aumento de risco de cancro da mama.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><br \/>\nO cancro da mama pode ser prevenido. Combata os fatores de risco.<br \/>\nComo se percebe, muitos fatores de risco contribuem para o cancro da mama.<br \/>\nCom vista \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do risco, as mulheres devem tomar algumas medidas importantes, incluindo:<br \/>\n&#8211; Optar por um estilo de vida saud\u00e1vel, nomeadamente ao n\u00edvel dos h\u00e1bitos alimentares, evitando a ingest\u00e3o exagerada de gordura saturada, manter atividade f\u00edsica regular, evitar a obesidade juvenil e o aumento de peso na idade adulta (sobretudo na p\u00f3smenopausa);<br \/>\n&#8211; Abandonar h\u00e1bitos e ambientes tab\u00e1gicos;<br \/>\n&#8211; Engravidar em idade jovem e amamentar durante pelo menos 6 meses;<br \/>\n&#8211; Na p\u00f3smenopausa, a terap\u00eautica hormonal de substitui\u00e7\u00e3o deve ser prescrita na menor dose poss\u00edvel para atingir os efeitos terap\u00eauticos pretendidos;<br \/>\n&#8211; Na presen\u00e7a de fatores de risco importantes, a THS dever\u00e1 ser substitu\u00edda por f\u00e1rmacos n\u00e3o hormonais.<br \/>\n&#8211; A eventual necessidade de farmacopreven\u00e7\u00e3o deve ser sempre decidida pelo seu m\u00e9dico ginecologista: nunca se auto-medique.<\/p>\n<p>Outras leituras:<br \/>\n1. <em>Siegel R et al. Cancer Statistics, 2012. CA Cancer J Clin 2012; 62:10.<\/em><br \/>\n2. <em>Colditz GA et al. Cumulative risk of breast cancer to age 70 years. Nurses\u2019 Health Study. Am J Epidemiol 2000; 152:950.<\/em><br \/>\n3. <em>Farhat GN et al. Sex hormone levels and risks of breast cancers. J Natl Cancer Inst 2011; 103:562.<\/em><\/p>\n<\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 1.92%;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 1.92%;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;order : 0;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 1.92%;margin-left : 1.92%;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;order : 0;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 1.92%;margin-left : 1.92%;}}<\/style><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-flex-container.fusion-builder-row-1{ padding-top : 0px;margin-top : 0px;padding-right : 0px;padding-bottom : 0px;margin-bottom : 0px;padding-left : 0px;}<\/style><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":98,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[21,24],"class_list":["post-97","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-patologia-mamaria","tag-ginecologia","tag-patologia-mamaria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/97","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=97"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/97\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":99,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/97\/revisions\/99"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/98"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=97"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=97"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=97"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}