{"id":131,"date":"2011-02-28T15:41:56","date_gmt":"2011-02-28T15:41:56","guid":{"rendered":"https:\/\/jorgebranco.pt\/?p=131"},"modified":"2022-02-19T15:53:09","modified_gmt":"2022-02-19T15:53:09","slug":"mac-o-antes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jorgebranco.pt\/?p=131","title":{"rendered":"MAC &#8211; O antes"},"content":{"rendered":"<div class=\"fusion-fullwidth fullwidth-box fusion-builder-row-1 fusion-flex-container nonhundred-percent-fullwidth non-hundred-percent-height-scrolling\" style=\"background-color: rgba(255,255,255,0);background-position: center center;background-repeat: no-repeat;border-width: 0px 0px 0px 0px;border-color:#eae9e9;border-style:solid;\" ><div class=\"fusion-builder-row fusion-row fusion-flex-align-items-flex-start\" style=\"max-width:1144px;margin-left: calc(-4% \/ 2 );margin-right: calc(-4% \/ 2 );\"><div class=\"fusion-layout-column fusion_builder_column fusion-builder-column-0 fusion_builder_column_1_1 1_1 fusion-flex-column\"><div class=\"fusion-column-wrapper fusion-flex-justify-content-flex-start fusion-content-layout-column\" style=\"background-position:left top;background-repeat:no-repeat;-webkit-background-size:cover;-moz-background-size:cover;-o-background-size:cover;background-size:cover;padding: 0px 0px 0px 0px;\"><div class=\"fusion-text fusion-text-1\"><p><strong><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-132 alignleft\" src=\"https:\/\/jorgebranco.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4mac-porta-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/jorgebranco.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4mac-porta-200x267.jpg 200w, https:\/\/jorgebranco.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4mac-porta-225x300.jpg 225w, https:\/\/jorgebranco.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4mac-porta.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/>Comunica\u00e7\u00e3o proferida na primeira comemora\u00e7\u00e3o do Dia do M\u00e9dico na MAC.<\/strong><\/p>\n<p>Foi com prazer que aceitei o convite, quer por poder transmitir aos mais novos uma vis\u00e3o aproximada do passado, que explica o presente, como tamb\u00e9m, por poder partilhar esse passado, com alguns colegas presentes nesta sala e, que me acompanharam nessa caminhada.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso deixar de recordar os bons mestres que ensinaram e os colegas mais velhos que ajudaram o muito que aprendi. A esta dist\u00e2ncia, considero ter sido um privil\u00e9gio o ter assistido e participado em acontecimentos t\u00e3o importantes, que ocorreram na MAC, nas especialidades de Ginecologia\/Obstetr\u00edcia, Pediatria e Anestesiologia, nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Houve momentos inesquec\u00edveis, vividos nesta Casa ao longo de 30 anos (65-95) e, que me transmitiu uma forte motiva\u00e7\u00e3o e, sensa\u00e7\u00e3o, de realiza\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>Entre os muitos que vivi, escolho quatro que fizeram \u201cclic\u201d na minha mente e, foram ponto de partida, para grandes mudan\u00e7as na \u00e9poca, mas que, hoje, s\u00e3o encaradas como vulgares e banais.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, atrevo-me a dizer, que nesse intervalo de tempo, se passou da <strong>ci\u00eancia do nascer, para a ci\u00eancia do gerar<\/strong> e, que, a gravidez foi aos poucos deixando de ser um acontecimento do acaso, para passar a ser um projeto do casal, com prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9-concepcional. A gravidez, hoje, j\u00e1 num grande n\u00famero de vezes, \u201cprojeta-se e prepara-se\u201d e, dantes, s\u00f3 \u201cacontecia\u201d.<\/p>\n<p>1\u00ba \u201cclic\u201d-1968. Lembro-me, no final dos anos 60, que quando se pedia \u00e0 Sr\u00aa Enfermeira da Sala de Forceps um Forceps Naegele, ela trazia a respetiva caixa, que entre as v\u00e1rias que existiam havia uma que continha dois modelos de f\u00f3rceps, um, o dito Naegele e, outro, com uma forma estranha e, cujo nome poucos sabiam e tinha a fama de ter provocado, em tempos passados, les\u00f5es maternas. Recordo uma situa\u00e7\u00e3o, do per\u00edodo expulsivo, dif\u00edcil de resolver: &#8211; <strong>as apresenta\u00e7\u00f5es cef\u00e1licas em variedades posteriores persistentes<\/strong>. Era com a ventosa obst\u00e9trica que, laboriosamente, faz\u00edamos a rota\u00e7\u00e3o e a descida da apresenta\u00e7\u00e3o, habitualmente, com sequelas cut\u00e2neas do couro cabeludo. Com a progress\u00e3o do internato e, atrav\u00e9s dos manuais, tomei conhecimento do f\u00f3rceps Kielland, o tal de forma estranha, que permitia fazer a manobra de rota\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a fetal de forma cautelosa e mais eficaz, assim como, uma descida e extra\u00e7\u00e3o mais f\u00e1cil e com muito menos sequelas cut\u00e2neas. Rapidamente, ganhei uma casu\u00edstica consider\u00e1vel e, demonstrei que a opini\u00e3o prevalecente na \u00e9poca, de que com um modelo de f\u00f3rceps cl\u00e1ssico se faziam todas as extra\u00e7\u00f5es da cabe\u00e7a fetal, n\u00e3o era verdadeira.<\/p>\n<p>2\u00ba \u201cclic\u201d &#8211; 1976. Quando o Doutor Ramos de Almeida me telefonou para o Isolamento (Sec\u00e7\u00e3o 9) onde, na altura, prestava servi\u00e7o e, me disse : \u201cD\u00f3ria, tem que ir ao Hospital de Santo Ant\u00f3nio no Porto falar sobre Hipoxia Perinatal, porque nesse mesmo dia tenho que estar numas Jornadas de Pediatria em Monfortinho\u201d. Claro que, fiquei completamente perturbado, uma vez que, falar de hipoxia perinatal \u00e9 abordar, praticamente, toda a obstetr\u00edcia. Fui para a Baixa \u00e0 procura de livros nas v\u00e1rias livrarias, entre elas, a conhecida Luso Espanhola na rua Nova do Almada. Encontrei v\u00e1rios livros sobre Gravidez de Alto Risco, assunto muito em voga na altura, um deles com um cap\u00edtulo escrito por Calvin Hobel e com o seu processo cl\u00ednico usado na Universidade do sul da Calif\u00f3rnia, em Los Angeles, com a sigla POPRAS.<\/p>\n<p>Baseados naquele modelo, foram criados os impressos da Consulta de Alto Risco, com folhas que traduzi e passadas ao stencil, pela secret\u00e1ria D. Gabriela, que sa\u00fado, neste momento, deste anfiteatro. Em 1983, essa papeleta j\u00e1 estava bonita, impressa a cor verde claro e, com muitos itens para preencher. Ela foi a percursora do <strong>atual processo cl\u00ednico<\/strong> do SOMMF.<\/p>\n<p>Para a recordar, trago um poster feito a partir do \u00faltimo exemplar que guardo religiosamente e, que ofere\u00e7o \u00e0 Diretora do Servi\u00e7o de Obstetr\u00edcia e Medicina Materno Fetal, na pessoa da Dr\u00aa Ana Campos. Posso afirmar, que a gera\u00e7\u00e3o de Internos da \u00e9poca, de que faziam parte, Ana Campos, Alice Correia, Clara Soares, Maria Jos\u00e9 Alves, Amadeu Ferreira, Joaquim Correia e depois Teresa Paula, Cristina Guerreiro, F\u00e1tima Serrano e outros mais, aprenderam Obstetr\u00edcia bem e depressa devido \u00e0s suas elevadas caracter\u00edsticas pedag\u00f3gicas.<\/p>\n<p>3\u00ba \u201cclic\u201d \u2013 1977. Numa fase de acalmia, p\u00f3s 25 de Abril, viv\u00edamos na MAC em di\u00e1logo permanente, entre as especialidades de obstetr\u00edcia, pediatria e anestesiologia. Para facilitar \u00e9ramos vizinhos, todos no mesmo piso. A Pediatria, dirigida pelo Doutor Ramos de Almeida, estava em franca evolu\u00e7\u00e3o com a chegada, por concurso, de m\u00e9dicos novos, conhecedores das novas t\u00e9cnicas da neonatologia. Assim, em Abril de 1977, perante um caso de pr\u00e9-eclampsia grave, com 32 semanas de gravidez, feto com ACIU, ainda vivo, fomos discutir o problema com a Dire\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7o de Pediatria. A discuss\u00e3o centrou-se, na hip\u00f3tese de se j\u00e1 haveria capacidade instalada, para apoiar um RN pr\u00e9-termo e em sofrimento cr\u00f3nico. A resposta do Doutor Ramos de Almeida foi <strong>sim<\/strong> e, deste modo, foi feita uma cesariana eletiva, em gravidez pr\u00e9-termo, feto vivo com ACIU. Podemos considerar, que naquele dia, nasceu em Portugal, a <strong>Medicina Materno-Fetal<\/strong>, uma vez que, tal atitude cl\u00ednica, foi tomada pela primeira vez num Servi\u00e7o de Obstetr\u00edcia portugu\u00eas. Esta nova conduta, totalmente oposta \u00e0 que at\u00e9 \u00e0 data se praticava, teve uma consequ\u00eancia imediata: <strong>melhoria da mortalidade materna e perinatal<\/strong>.<\/p>\n<p>Um dos dramas da MAC era a dispers\u00e3o dos dados cl\u00ednicos pela papeleta da consulta, pelos processos cl\u00ednicos por cada internamento na mesma gravidez e pelo famigerado \u201clivrinho verde\u201d que normalmente ficava esquecido em casa, quando a gr\u00e1vida vinha \u00e0 Urg\u00eancia criando no m\u00e9dico que a atendia, um estado de des\u00e2nimo e f\u00faria contida, pela falta de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1983, o <strong>processo cl\u00ednico \u00fanico<\/strong>, de cor verde, passou a ficar num <strong>Arquivo durante as 24 h do dia<\/strong>, junto ao Servi\u00e7o de Admiss\u00f5es. A qualquer hora, passou a estar dispon\u00edvel para ser usado na Consulta, no Internamento ou no S.Urg\u00eancia. Constituiu um avan\u00e7o substancial na <strong>qualidade da presta\u00e7\u00e3o de cuidados pr\u00e9-natais e intraparto<\/strong>.<\/p>\n<p>Em finais de 1986 fui convidado pela Dire\u00e7\u00e3o de Servi\u00e7o de Obstetr\u00edcia para ser o Respons\u00e1vel pelo Servi\u00e7o de Urg\u00eancia. Aceitei de imediato, com a perspetiva de identificar o <strong>fator evit\u00e1vel<\/strong> da morte intraparto. Com a metodologia adotada e sem aumento das condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, a mortalidade intraparto no 2\u00ba semestre de 1987 foi de 50 % inferior \u00e0 do 1\u00ba semestre.<\/p>\n<p>4\u00ba \u201cclic\u201d \u2013 1987. Num s\u00e1bado de manh\u00e3, na Consulta de Obstetr\u00edcia, atendi uma senhora com ar triste, que perante a pergunta de qual a raz\u00e3o da consulta, deu uma resposta r\u00e1pida e precisa: gostava saber a causa da morte fetal tardia do seu beb\u00e9. Depois do insucesso, j\u00e1 tinha ido v\u00e1rias vezes \u00e0 consulta de obstetr\u00edcia, que por n\u00e3o estar gr\u00e1vida, era enviada para a consulta de ginecologia, que por sua vez, ao ser um assunto de gravidez, era remetida para a consulta de obstetr\u00edcia. Nesse dia, apercebi-me que a MAC precisava ter um lugar, onde este problema pudesse ser estudado em profundidade. Foi assim que nasceu o Grupo de Estudos da Morte Fetal (GEMF), que foi oficialmente criado e entrou em funcionamento, em Abril de 1989, merc\u00ea da nova Administra\u00e7\u00e3o da MAC. Em simult\u00e2neo, foram criadas outras consultas, para certas patologias, que careciam de cuidados mais personalizados, para conseguir melhores resultados e, que a curto prazo foram conseguidos. Assim, grupos multidisciplinares de t\u00e9cnicos foram tomar conta das gr\u00e1vidas com diabetes, com hipertens\u00e3o, com toxicodepend\u00eancia, adolescentes, com patologia do 1\u00ba trimestre, juntando-se ao acima citado GEMF.<\/p>\n<p>O tempo que j\u00e1 decorreu desde ent\u00e3o, mostra que a Maternidade Alfredo da Costa, se tornou numa <strong>unidade de excel\u00eancia<\/strong>, na conduta daquelas patologias, cumprindo, ali\u00e1s, a sua voca\u00e7\u00e3o institucional.<\/p>\n<\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;margin-top : 0px;margin-bottom : 20px;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {padding-top : 0px !important;padding-right : 0px !important;margin-right : 1.92%;padding-bottom : 0px !important;padding-left : 0px !important;margin-left : 1.92%;}@media only screen and (max-width:1024px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;order : 0;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 1.92%;margin-left : 1.92%;}}@media only screen and (max-width:640px) {.fusion-body .fusion-builder-column-0{width:100% !important;order : 0;}.fusion-builder-column-0 > .fusion-column-wrapper {margin-right : 1.92%;margin-left : 1.92%;}}<\/style><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fusion-body .fusion-flex-container.fusion-builder-row-1{ padding-top : 0px;margin-top : 0px;padding-right : 0px;padding-bottom : 0px;margin-bottom : 0px;padding-left : 0px;}<\/style><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":132,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[31,29],"class_list":["post-131","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-diversos","tag-diversos","tag-outros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=131"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/131\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":133,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/131\/revisions\/133"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/132"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgebranco.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}